O sexo… Imagens intempestivas e eróticas devoram-me a mente
em cenários de luxúria alucinantes! O
ranger da carne em penetrações frenéticas, num frenesim báquico; o odor excitante
do teu membro pungente, e o calor da tua pele roçando na minha, em devaneios contínuos, numa
simbiose perfeita, enaltecem-me o espírito, elevando-me
em espirais infinitas de prazer! Esvaio-me em gemidos agudos, num orgasmo vulcânico
e magnificente… quero-te… possui-me qual anjo alado possante, nú, de pénis em riste,
esvoaçando entre lençóis de seda, em ejaculações inebriantes!
Depois do trabalho, fui novamente ao mar.... refresquei o corpo, e apaziguei a alma... o cheiro dos canaviais, embalado pela maresia - plena aliança de odores das canas soltas ao vento, com o ar salgado que emanava do basalto da praia -, envolveu-me em memórias mil de Verões passados! Senti a pele a queimar pelo sol, amedrontado ainda, como que à espera da força do Verão vindouro para mostrar a sua força, enquanto sonhava com viagens por fazer, a mirar o horizonte infinito.
Mellow is the yellow sun Waving sunbeams in the air
É noite... no ar existe uma inquietude flutuante, faminta, qual libido insaciável, porém ansiosa, e amotinada, que domina a mente enrubescida pelo
desejo contido de uma vagina em flor. O aroma estonteante, o sabor a sexo de
hormonas indomáveis, enaltecem o cio impulsionador de poesias e romances
efusivos, e alucinantes… no calor do quarto, o calcorrear de dedos lascivos percorrem a pele veludilho, lentamente, até o desabrochar de um clitóris em
flor, fonte de segredos primaveris, de delírios incontáveis em orgasmos múltiplos. "Amo-te" ecoa em murmúrios quase imperceptíveis, em curvas ascendentes, como o sussurrar tímido de um Bis-Bis airoso numa manhã de Páscoa.
Uma voz que soa a
Billie Holiday, um banjo, alternado com um violão de 12 cordas, e um lirismo
profundo, dorido, e confessional, descrevem o mundo da Karen Dalton, diva
marginal da música folk americana. Existe algo simultâneamente apaixonante, e
assustador, na sua existência, uma genialidade apagada precocemente pelo vício
intrínseco ao ritmo alucinante da vida. Amores, e desamores, brotavam de
seus lábios em melodias melancólicas, como que a adornar o coração, e a
sossegar a mente de sonhos e desejos; o gotejar agridoce de palavras
circundantes em letras de canções que ecoam, soltas, na memória da sua história
trágica, que ainda assim, iluminou o mundo com a sua arte, reflexo de uma alma
grandiosa. God bless her!
Hood
I love you baby Ain't gonna lie Without you darling I can't be satisfied If things are going wrong for you You know it hurts me too
Run here baby Put your hands on mine I've got something to tell you, darling I wanna change your mind If things are going wrong for you You know it hurts me too Hurts me too
I love you baby Ain't gonna lie Without you darling I can't be satisfied If things are going wrong for you You know it hurts me too You know it hurts me too
Sentou-se. Respirou fundo. Novamente. E outra vez. Até que regulou a ordem de pensamentos que lhe surgiam em espirais fraccionadas.
Mordeu a maçã. Permitiu que o ácido verde lhe provocasse arrepios na língua. Sentiu a pele reagir. Fechou os olhos. Se reagisse podia rasgar o mundo com a fúria dos dentes.
Rui Manuel Amaral criava assim um contexto cenográfico à literatura.
Cinco palavras que me ficaram impressas na memória pelas raízes de significados que criaram. Não é tudo, assim, na vida?
Germinamos sementes de maçã, esperamos colher maçãs. Mas a audácia criativa da existência tende a congeminar-lhes outras formas, quiça laranjas, porventura morangos. Às vezes, no corropio dos dias, quando o travo fica menos sensível às expectativas, desatencionamos o palato e apreciamos o gosto do novo. A surpresa dissolve-se agradavelmente nas papilas, imprime-lhes o gosto dos sonhos não ousados. Dos que ficam impressos de alcova, amarrotados pela agitação do sono.
Gosto-lhes do desembrulho matinal, quando lhes agradeço a criação e os remeto às memórias que não guardo.